A DEMOCRATIZAÇÃO DA GINÁSTICA

A ginástica sempre foi a modalidade que mais chamou a atenção. Com sete anos de idade, Michele Viviene Carbinatto já mostrava sua tendência para o esporte, participando de escolinhas de vôlei, basquete e outras. Mas a dedicação maior sempre estava nas aulas de ginástica artística. “Eu gosto dos desafios que a ginástica solicita ao meu corpo: estar no ar, girar, ter controle corporal, me apresentar ao público”, explica.

Michele é a mais recente contratação do corpo docente da unidade – ela começou a dar aulas na instituição em 2014. Formada em Educação Física na Unicamp, seu mestrado foi defendido na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e doutorado na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da USP, tendo como orientadora Myrian Nunomura, que foi docente da EEFE e atualmente é vice-diretora da EEFERP.

A docente se destaca pelo espírito participativo e disposto, já que faz questão de estar presente em atividades que envolvem alunos, docentes e funcionários. Em 2015, ela coordenou as atividades de recepção de novos alunos de graduação, trabalho pelo qual ganhou premiação em concurso da Pró-Reitoria de Graduação.

Ginástica para todos

O perfil integrativo de Michele se reflete de certa forma em sua atuação na universidade e no meio acadêmico. Desde 2015, a professora coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Ginástica (GYMNUSP), que promove encontros semanais abertos a qualquer interessado em uma vivência de ginástica e dança proporcionada em um espaço de discussão e elaboração de coreografias. O diferencial dos encontros promovidos pelo GYMNUSP é o embasamento nos princípios da Ginástica para Todos, que se apoia nas habilidades e especificidades dos participantes para a construção conjunta de coreografias.

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Grupo Gymnusp, coordenado pela Profa. Michele

Michele é coordenadora técnica da modalidade na Confederação Brasileira de Ginástica e acredita que os encontros são uma oportunidade para adultos terem os fundamentos da ginástica, independente de idade, tipo físico, nível técnico, dentre outros. Isso porque, mesmo sendo uma prática sem um código de regras, a Ginástica para Todos explora os movimentos da ginástica, como rotações, suspensões, apoios invertidos, equilíbrios e saltos. “A vivência prática de tudo isso faz bem para a saúde física e social porque você trabalha com o outro e passa a criar uma identidade de grupo”, diz a docente.

Os encontros não têm viés competitivo, mas a criação da coreografia em conjunto é obrigatória: “Nós queremos seres humanos críticos, criativos, e que saibam lidar com o outro. É uma turma totalmente mista, tem gente de diversas idades e habilidades, e eles têm que fazer uma composição juntos. Isso permite que o aluno entenda o seu limite, mas saiba que isso não o impede de estar num projeto comum. Ao mesmo tempo, aquele que é muito bom percebe que a equipe tem que caminhar junto”.

Escola de Ginástica

Além dos encontros do Gymnusp, Michele também coordena o curso comunitário Escola de Ginástica, voltado a crianças de 06 a 15 anos. O objetivo não é apenas desenvolver as habilidades fundamentais da ginástica, mas também capacitar monitores da modalidade. Assim, os alunos de graduação com interesse em se aprofundar na modalidade podem ter uma experiência prática a partir do contato com os alunos.

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Alunas da Escola de Ginástica realizam movimentos em aparelhos enquanto monitores (de amarelo) auxiliam

O resultado do aprendizado obtido pelos alunos do curso  é exibido todo final de semestre, quando é organizado um Festival de Ginástica para que as novas habilidades sejam colocadas à prova e os familiares possam assistir ao progresso das crianças. Tudo é feito de forma cuidadosa, para não ocasionar um afastamento da ginástica e do próprio exercício físico. Assim, os próprios alunos escolhem quais movimentos fazer e dentre os aparelhos oficiais da ginástica artística e de trampolim.

Esporte de Alto Rendimento

Esse tipo de abordagem é muito diferente daquela adotada pela maioria dos técnicos de ginástica. Uma das preocupações acadêmicas de Michele é justamente a formação competitiva dos jovens atletas. Tanto na Ginástica Artística quanto na Rítmica, os atletas iniciam treinamento e competição muito cedo – alguns com nove anos de idade, por exemplo. Para compreender melhor essa questão, a docente e seus orientandos de iniciação científica e mestrado realizam entrevistas com os técnicos dos jogos regionais abertos do Estado de São Paulo, que são competições de base no esporte.

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Monitora auxilia aluna da Escola de Ginástica

Ao perguntar sobre os critérios utilizados para decidir se um atleta está preparado ou não para participar de competições, parte das respostas surpreendeu pela tecnicidade: “se o atleta faz a série de movimentos exigida pela competição, ele vai participar. Não existe um preparo psicológico ou com os pais. O preparador diz ‘Ela vai, se ela ficar nervosa e cair, ela não serve para a ginástica’. A gente perde talentos desta forma, pois são crianças que vão competir pela primeira vez”.

A professora atribui esse descuido como um dos principais problemas para o aprimoramento da ginástica no Brasil. “É preciso que as pessoas entendam melhor a formação de atleta em longo prazo, ou seja, que não devemos depender de talentos e sorte, mas de uma boa organização que permite que as crianças e jovens que gostem e tem atendido às demandas da modalidade queiram continuar e se dedicar a ela”, complementa.

Michele acredita que a maior presença feminina na gestão e atuação direta com o time pode ajudar a Ginástica a superar esse obstáculo: “No esporte, é comum ouvirmos que a mulher não consegue ser ‘firme’ com um atleta e, por isso, não forma bons competidores. Eu já vejo o contrário. Talvez ampliar a participação da mulher pode justamente trazer o que mais falta na formação do atleta: vê-lo como humano!”.


Saiba mais:

Currículo lattes de Michele Viviene Carbinatto

Contato e outras informações

Página no Facebook do grupo Gymnusp

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