Elucidando os mecanismos de regulação das respostas cardiovasculares frente ao exercício

Quando um indivíduo saudável realiza um exercício físico, seus batimentos cardíacos aceleram. Essa reação é gerada a partir do Sistema Nervoso e é essencial ao bom funcionamento do organismo frente ao esforço, pois os músculos passam a receber o oxigênio necessário de forma mais rápida e eficiente. Esse mecanismo de regulação é natural em pessoas saudáveis, porém, funciona de forma precária em pacientes com doença cardiovascular, que podem apresentar respostas fisiológicas distorcidas durante o exercício, como uma estimulação cardíaca maior ou menor que aquela esperada.

Levando em consideração esse fator, a Profa. Dra. Maria Urbana Rondon enfoca seus estudos na modulação autonômica. Ou seja, ela pesquisa de que forma o sistema nervoso e os reflexos cardiovasculares atuam para regular as respostas cardiovasculares durante o exercício. “Na doença, esses reflexos não atuam perfeitamente e isso provoca respostas não adequadas do organismo. O que temos visto em nossos estudos é que o treinamento físico aeróbio pode normalizar isso”, explica.

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Laboratório de Controle Autonômico da Circulação, coordenado pela Profa. Maria Urbana

No trabalho intitulado  “Effects of long-term exercise training on autonomic control in myocardial infarction patients” (Martinez et al. Hypertension, 2011), a docente e sua equipe coletaram dados de 28 pacientes vítimas de infarto do miocárdio. Este estudo foi conduzido no Laboratório de Controle Autonômico da Circulação, coordenado por Maria Urbana, e no Instituto do Coração HCFMUSP. Os pesquisadores acompanharam os sujeitos desde sua hospitalização na UTI. Durante os três ou quatro primeiros dias de internação, realizaram diversas medidas, por exemplo do fluxo sanguíneo que vai para a musculatura, pressão arterial e atividade nervosa simpática muscular.

As mesmas avaliações foram feitas novamente depois de um mês da alta hospitalar e, a partir daí, os indivíduos foram divididos em dois grupos: um permaneceu sedentário e o outro passou a participar de treinos aeróbios e de resistência muscular localizada. Ambos continuaram com tratamento médico adequado. Os treinos aconteciam no InCor três vezes por semana, com uma hora de duração cada. Em seis meses, o grupo treinado praticamente normalizou seu nível de atividade simpática, enquanto no grupo sedentário este nível permaneceu aumentado, o que piora o prognóstico do paciente.

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Equipamento no Laboratório de Controle Autonômico da Circulação, coordenado pela Profa. Maria Urbana

O trabalho em questão ainda gera desdobramentos e artigos. No último artigo publicado, “Neurovascular Control During Exercise in Acute Coronary Syndrome Patients with Gln27Glu Polymorphism of β2-adrenergic Receptor (Plos One, 2017)” a doutoranda Larissa Ferreira dos Santos, orientada por Maria Urbana, verificou polimorfismos genéticos que pioram a situação desses pacientes durante o exercício. Ela observou que, dependendo da característica genética, esses pacientes podem apresentar uma resposta de pressão arterial e de atividade simpática muito maior que os outros. Neste caso, o paciente também se beneficia do treinamento físico, que ajuda a atenuar a ação cardiovascular dessa característica genética.

Atualmente, a professora coordena outros projetos, que também buscam estudar os mecanismos de regulação cardiovascular, mas desta vez em pacientes com hipertensão arterial e com doença coronária crônica. Neste projeto, um de seus alunos de doutorado irá analisar os pacientes com apneia do sono, condição comum em pessoas com doenças coronarianas. Outra orientanda irá se concentrar na vasodilatação e no fluxo sanguíneo e como o treinamento físico influencia esses fatores. Neste mesmo projeto, Maria Urbana trabalhará em colaboração com a docente Edilamar Menezes de Oliveira, que abordará os dados coletados sob um viés  da biologia celular.

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Laboratório de Controle Autonômico da Circulação, coordenado pela Profa. Maria Urbana

Essa diversidade de frentes científicas para analisar a mesma temática é necessária para explorar de forma mais ampla uma questão complexa: por que o exercício físico faz bem? “É possível observar as vias de sinalização de várias funções do corpo que  melhoram o seu funcionamento com o exercício, desde a expressão de proteínas até a regulação da atividade nervosa simpática. Cada pesquisador da área estuda um pedacinho”, comenta. Mesmo assim, a docente ressalta que não é possível obter uma resposta pontual e exata para a pergunta: “Ainda é uma incógnita da ciência”.

Essa complexidade de funcionamento do corpo humano frente ao exercício é o que motiva a docente a continuar suas pesquisas na área. “É como um acendedor de lâmpada. O treinamento físico procura levar o sujeito a uma situação de homeostase. O corpo passa a buscar uma situação de equilíbrio mais próxima possível do normal. Se a  resposta de uma determinada variável  está aumentada, por exemplo, o organismo tende a diminuir essa  resposta após um período de treinamento físico. Se está diminuída, procura aumentar. É um sistema muito eficaz e que não conhecemos tudo ainda”, complementa.


Saiba mais:

Currículo Lattes de Maria Urbana Pinto Brandão Rondon

Contato

 

Texto e fotos: Paula Bassi

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